Esse post é focado nas mamães e papais que gostam de viajar e são
desencorajados por um senso comum de que é muito difícil viajar com um bebê,
ainda mais para Europa. Quero começar dizendo que foi das melhores coisas que
eu fiz na minha licença maternidade e foi muito, MUITO, tranquilo. Antes de
viajar eu li vários fóruns e blogs com relatos para conhecer todos os detalhes,
imprevistos e até mesmo para saber que
eu não estava inventando nada, muitas outras mulheres também contam
experiências maravilhosas de viagem com um bebê. Nesse post vou tentar abordar todos os tópicos
sobre esse tema, de maneira honesta, falando sobre documentação, alimentação,
cuidados, destinos ideais, etc.
Minha primeira dúvida era a questão saúde do bebê, é seguro levar um
nenê para uma viagem de várias horas de avião e para outro país? Para isso
consultei o pediatra do meu bebê, a princípio um bebê pequeno não é
recomendável ficar em ambientes fechados com muita gente, como é o caso de um
avião ou shopping. Então, o ideal é esperar o nenê estar com as vacinas mais
importantes do calendário concluídas, ou seja, aos 6 meses de idade.
Entretanto, eu viajei com meu filho quando ele tinha 5 meses, por que eu já
saia bastante com ele e considerei que o risco era o mesmo. Antes da viagem,
fiz uma consulta com o pediatra para garantir que o bebê estava bem e
combinamos de nos falarmos por e-mail ou celular no caso de qualquer problema,
além disso, fizemos um bom seguro de viagem.
Qual o destino ideal para ir com um bebê? Pela minha experiência mais do
que o lugar, a geografia e o clima também devem ser considerados. Não acho
legal expor um bebê a um clima severo, e também fica bem difícil circular com
um carrinho de bebê num clima chuvoso o de neve. Dessa forma, escolhi viajar em
junho, que é o começo do verão europeu, onde na maior parte dos locais já está calor
ameno, porém em alguns paises esse mês pode ser chuvoso, é bom pesquisar bem. A
geografia da cidade também é um ponto importante, descarte lugares cheios de
ladeiras. E outro ponto chave é a facilidade de encontrar um trocador de
fraldas. Por isso, eu indico Barcelona, Roma, Paris (essa há relatos de
dificuldades com banheiros e falta de trocadores), Madri e Lisboa (com
restrição de passeios, pois tem algumas ladeiras).
Meu filho na época com 5 meses, mamava apenas no peito, então não
precisei levar mamadeira, papinha, pratinho, etc. Essa é a vantagem de viajar
até o sexto mês, onde seu filho só dependerá de você para ser alimentado. Eu
amamentei em todos os lugares possíveis, sem sofrer qualquer preconceito. Mas
uma pessoa mais tímida vai ter dificuldade em achar salas de amamentação em
todos os lugares, ainda assim, na Espanha a loja El corte inglês, que é enorme,
tem uma boa sala disponível. No caso do seu filho já estar maiorzinho, nos países
que eu sugeri você não terá dificuldade em encontrar frutas, leite em pó, e
papinha Nestlé, mas vai ter que ter uma garrafa térmica para levar água quente
para a preparação de mamadeira e banho maria na comida. Pergunte ao pediatra marca de leite em pó que
se possa encontrar no exterior.
A documentação necessária para um menor ACOMPANHADO DOS PAIS é um
passaporte válido e a certidão de nascimento nos países que não exigem visto (a
maioria na Europa- consulte o tratado de Schengen). Porém a pegadinha é que o
passaporte tem validade só de um ano, para bebês, e os países exigem validade
mínima de 6 meses para permitir a entrada, então deixe para fazer o passaporte
numa data próxima da viagem. Lembrando que o passaporte exige um cadastro e um
agendamento pela internet, conseguir uma data pode ser difícil, então o ideal é
providenciar o agendamento uns 2 meses antes da viagem. Caso já não haja datas
disponíveis antes da sua viagem, fique atento aos horários de liberação de
novas datas (ao meio dia e no final da tarde se costuma liberar mais datas no
site). Ainda sim, se não conseguir data,
você pode ligar para a polícia federal,
na parte de confecção de passaportes e ver como fazer uma solicitação de
urgência. Na hora que você preencher no site a solicitação de passaporte haverá
um questionamento de autorização de viagem do seu filho desacompanhado ou
acompanhado de somente um dos pais, essa
resposta vai determinar se você precisará de autorização ou não para seu filho
viajar com os avós, por exemplo, ou só com o pai.
A viagem de avião é outro ponto a ser observado, o pediatra me alertou
para colocar o bebê para mamar ou dar a chupeta durante a decolagem e o pouso,
para evitar dor nos ouvidos. Você pode solicitar (antecipadamente) a companhia
aérea do voo internacional um berço, se seu bebê tem até 6 meses. Pense bem no
horário da viagem, opte por um voo noturno, onde seu bebê possa passar a maior
pare do tempo dormindo. Minha experiência foi maravilhosa, meu filho adorou
toda novidade do avião e dormiu durante quase toda viagem, não teve choro, não
teve problema. Viajei RJ-Paris Paris-Barcelona
pela Air France que foi maravilhosa e disponibilizou prioridade no
embarque, berço (que acopla na parede), extensor de cinto e um atendimento
muito carinhoso dos comissários.
O único problema que tivemos é que despachamos o carrinho de bebê e ele
chegou a Barcelona sem uma roda. Fizemos um registro no balcão da Air France e
optamos por comprar um novo carrinho, devido a dificuldade de locomoção com o
nenê. Retornando ao Brasil, fiz contato com a Air France e recebi o reembolso
pelo carrinho que compramos, num prazo curto, o que me fez ter certeza que vou
continuar escolhendo a Air France/KLM para minhas viagens (isso não é
patrocinado, é uma opinião de quem já viajou por várias companhias).
Passear com um nenê num carrinho exige certa paciência, pois tem lugares
que não tem acessibilidade disponível de maneira fácil. Mas posso dizer que
Barcelona tem quase 100% de calçadas rebaixadas, e locais adaptados. A parte
positiva é que você não precisa carregar bolsas e sacolas de compras, pode
colocar tudo pendurado no carrinho. Escolha um carrinho tipo guarda-chuva que é
leve e fácil de levar num porta-malas de táxi, num ônibus. Comprar fraldas é
bem diferente, já que não conhecemos as marcas, na Espanha escolhi a Dodot e
foi ótima (suspeito que ela seja o nome espanhol da Pampers, pois os desenhos
da fralda eram exatamente iguais).
A viagem foi muito boa, passeamos o dia todo e foi muito divertido. O
meu filho é um bebê calmo, ama andar de carrinho, dormi a noite inteira, faz
sonecas durante o dia, não tem problema de alimentação. Nesse ponto acredito
que cabe a reflexão sobre como é seu bebê: Ele gosta de passear no carrinho?
Ele mama bem? Ele é calmo? No meu caso foi tudo muito fácil, bastava respeitar
os horários da mamada dele e trocar as fraldas. Com o clima maravilhoso de Barcelona,
tivemos 10 dias de sol e temperatura de 25°C, o que possibilitava trocar a
fralda dele em qualquer banco de praça. Antes da viagem de Barcelona, fiz uma
viagem de 4 dias para Florianópolis, quando meu bebê tinha 3meses, e serviu de
experimento para ver como ele iria se portar em um voo, ficando fora de casa,
quantidade de roupas para levar, etc. Recomendo para você fazer um teste assim,
uma viagem curta e para perto de casa, mas que sirva para avaliar se será uma
experiência leve ou estressante.
Espero realmente ter respondido a todas as questões sobre viajar com um
bebê e finalizo compartilhando meu pensamento sobre criação de filho: penso que
a família não deve se modificar por causa do filho, ele deve ser incluído no
estilo de vida e pensamento. Pais que gostam de viajar não precisam se tornar
caseiros só por que tem um filho, eles devem incluir a criança nas suas viagens
e tornar divertido para toda família. Claro, você terá que adaptar algumas
coisas, um hostel não vai fornecer o conforto ideal para o sono de uma
criança, por exemplo. Mas isso não vai
impedir que seja muito especial, não tem alegria maior que ver seu filho feliz
e melhor ainda é poder curtir juntos.